Kant no país da desconstrução

Por vezes, na doxografia da recepção contemporânea de À paz perpétua, ignora-se que este texto foi, e ainda é, de extrema relevância para uma tradição de leitura que, por falta de outro nome, chamaremos de “desconstrutiva”. Este artigo tenta entender a força atrativa exercida por Kant sobre a desco...

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Bibliographic Details
Main Author: Gabriel Rezende
Format: Article
Language:English
Published: Universidade Federal de Santa Catarina 2022-11-01
Series:Ethic@: an International Journal for Moral Philosophy
Subjects:
Online Access:https://periodicos.ufsc.br/index.php/ethic/article/view/87738
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Description
Summary:Por vezes, na doxografia da recepção contemporânea de À paz perpétua, ignora-se que este texto foi, e ainda é, de extrema relevância para uma tradição de leitura que, por falta de outro nome, chamaremos de “desconstrutiva”. Este artigo tenta entender a força atrativa exercida por Kant sobre a desconstrução investigando os estudos que Jacques Derrida dedicou ao cosmopolitismo. A hipótese-guia é a de que o traço distintivo das leituras desconstrutivas de Kant reside numa inesperada centralidade da hospitalidade. Este centro excêntrico albergaria um conjunto de aporias que servirão como alavanca para a desconstrução de todo um arranjo sistemático de conceitos políticos. Neste sentido, a hospitalidade se torna central para as leituras desconstrutivas porque oferece, ao desobedecer às linhas demarcatórias entre o campo teórico e o campo prático, uma abertura para interrogar o significado do “receber” em geral e da passividade em filosofia.
ISSN:1677-2954