Societas sceleris: cangaço e formação de bandos armados no sertão de Pernambuco

No campo social que as produziu, as palavras cangaço e cangaceiro são necessariamente polissêmicas. Paradoxalmente, tanto na literatura especializada quanto na concepção dosnão especialistas no tema, aquelas palavras, em virtude das dimensões, da amplitude e da longevidade do cangaço de Lampião, ten...

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Bibliographic Details
Main Author: Villela, Jorge Mattar
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (EDIPUCRS) 2001-01-01
Series:Civitas - Revista de Ciências Sociais
Subjects:
Online Access:https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/civitas/article/viewFile/81/80
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Description
Summary:No campo social que as produziu, as palavras cangaço e cangaceiro são necessariamente polissêmicas. Paradoxalmente, tanto na literatura especializada quanto na concepção dosnão especialistas no tema, aquelas palavras, em virtude das dimensões, da amplitude e da longevidade do cangaço de Lampião, tendem ao movimento inverso. Cangaço e cangaceiro passam a designar o movimento chefiado por Lampião. Apesar de a grande produção da literatura especializada no tema ter produzido alguns relatos muito completos sobre o ingresso de Lampião na vida ilegal das armas, nenhum deles o cotejou em profundidade com o meio social em que estava inserido. Assim, foi praticamente descartado o estudo sistemático das relações de parentesco e dos conflitos entre grupos familiares no Vale do Pajeú e sua indissociável mistura com as instituições estatais, impossibilitando ver em Lampião um caso entre muitos de seu tempo e compreender as relações dos grupos armados com as instituições oficiais. Proponho, verificar os modos de formação dos bandos, apontar seus componentes, as formas como se articulavam com as instituições policiais e judiciárias de sua época e como essas, em conjunção com a política eleitoral, concorriam para a produção de novos cangaceiros
ISSN:1519-6089
1984-7289