Avaliação como disputa: o exame de ordem e os rumos da educação médica

RESUMO Introdução: A proposta de um exame de ordem para médicos recém-formados tem gerado intenso debate na educação médica brasileira. Em meio à expansão acelerada e desregulada de escolas médicas, surgem preocupações com a qualidade da formação e a segurança do paciente. Contudo, o exame suscita...

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Main Author: Elise Kanashiro
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Associção Brasileira de Educação Médica 2025-08-01
Series:Revista Brasileira de Educação Médica
Subjects:
Online Access:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022025000300801&lng=pt&tlng=pt
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Summary:RESUMO Introdução: A proposta de um exame de ordem para médicos recém-formados tem gerado intenso debate na educação médica brasileira. Em meio à expansão acelerada e desregulada de escolas médicas, surgem preocupações com a qualidade da formação e a segurança do paciente. Contudo, o exame suscita questionamentos quanto à sua validade pedagógica, à eficácia regulatória e aos impactos sociais. Desenvolvimento: Este ensaio discute criticamente a proposta, analisando sua base teórica, suas consequências práticas e suas implicações éticas. Com base em revisão da literatura, experiências internacionais e dados sobre desigualdades no acesso à profissão, argumenta-se que uma avaliação terminal, sem feedback e voltada apenas à aferição cognitiva tende a reproduzir desigualdades e transformar-se em mecanismo de exclusão. O texto também explora os interesses políticos e mercadológicos envolvidos e propõe alternativas avaliativas mais formativas e justas. Conclusão: O exame de ordem, tal como proposto, não resolve os problemas estruturais da educação médica no Brasil. O caminho para a qualidade exige avaliação contínua, políticas públicas regulatórias e compromisso com a equidade na formação profissional.
ISSN:1981-5271