DOIS MODELOS PARA CLASSIFICAR PESSOAS, POVOS E NAÇÕES - AMÉRICAS, SÉCULOS XV-XIX

Resumo Este artigo investiga os sistemas de classificação de pessoas, povos e nações nas Américas, entre os séculos XV e XIX, com foco nas experiências sociais e políticas dos mundos ibéricos. O objeto de estudo versa sobre dois grandes modelos históricos de classificação e hierarquização biológicas...

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Main Author: Eduardo França Paiva
Format: Article
Language:Spanish
Published: Universidade Federal de São Paulo 2025-05-01
Series:Almanack
Subjects:
Online Access:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2236-46332025000100603&lng=pt&tlng=pt
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Summary:Resumo Este artigo investiga os sistemas de classificação de pessoas, povos e nações nas Américas, entre os séculos XV e XIX, com foco nas experiências sociais e políticas dos mundos ibéricos. O objeto de estudo versa sobre dois grandes modelos históricos de classificação e hierarquização biológicas e sociais. O primeiro, baseado na noção de “qualidade”, que abarcava a proveniência, a linhagem familiar e religiosa, e na de “condição” jurídica dos indivíduos, predominou no mundo moderno, organizando a ordem social. O segundo modelo, que emerge com maior força a partir do fim do século XVIII, vincula-se às ideias de civilização, raça, cor e miscigenação, associadas à emergência do racialismo científico e a projetos nacionalistas. O artigo tem por objeto compreender como esses modelos se sucederam, mas também como se entrelaçaram, transformando-se em campos de disputas políticas e culturais nos processos de construção dos Estados nacionais. A hipótese defendida é a de que a Ibero-América não apenas recebeu modelos classificatórios elaborados na Europa, mas desempenhou um papel ativo nas reelaboração e circulação desses sistemas de distinção, influenciando inclusive sua reconfiguração global. O estudo ancora-se em amplo corpus documental e bibliográfico, incluindo registros administrativos, textos jurídicos, tratados ilustrados, vocabulários políticos e científicos, além de exemplos extraídos de experiências históricas específicas, como a da América portuguesa. Ao acompanhar as mutações conceituais das categorias de “qualidade” e de “condição” e seu deslocamento para noções como “raça” e “progresso”, o artigo contribui para a compreensão dos fundamentos históricos da desigualdade e da classificação social em sociedades ibero-americanas.
ISSN:2236-4633