Ser participante de uma equipe eficaz

O trabalho em equipe é elemento essencial para a Segurança do Paciente e fatores como maior complexidade das doenças, aumento das especializações no atendimento, aumento de comorbidades, escassez de força de trabalho, incremento das inovações tecnológicas, estão cada vez mais presentes em todos os c...

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Main Author: Elena Bohomol
Format: Article
Language:Portuguese
Published: Zeppelini Publishers 2015-12-01
Series:Revista SOBECC
Online Access:https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/116
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description O trabalho em equipe é elemento essencial para a Segurança do Paciente e fatores como maior complexidade das doenças, aumento das especializações no atendimento, aumento de comorbidades, escassez de força de trabalho, incremento das inovações tecnológicas, estão cada vez mais presentes em todos os cenários de assistência ao paciente. Os trabalhos em saúde envolvem muitos profissionais e precisam ser bem coordenados, devendo haver boa comunicação entre eles em todos os momentos1. O desenvolvimento de atividades coletivas que envolvem diversas intervenções técnicas, interação de profissionais de diferentes áreas e construído por meio de uma relação mutual, constitui-se um modelo dinâmico, e tem como premissa a qualidade da comunicação entre os integrantes, autonomia profissional, confiança, respeito mútuo, colaboração e gerenciamento de conflitos1,2. Esta forma de trabalho é essencial nas atividades que envolvem todo o processo perioperatório. Embora todos concordem com a importância do trabalho em equipe, este é alvo de diferentes interpretações. Os resultados de uma investigação sobre a Cultura de Segurança, realizada com membros de equipes cirúrgicas, mostrou que o cirurgião-chefe foi o único a perceber os benefícios do trabalho em equipe na qual ele estava inserido (70%). Os demais membros do mesmo grupo, como os anestesiologistas, enfermeiros e residentes em anestesiologia, indagados sobre a funcionalidade da equipe da qual participavam, refletiram o resultado de 40, 30 e 10% respectivamente, demonstrando percepções diferentes3. A implantação do Protocolo de Cirurgia Segura nas instituições é um passo para que o trabalho em equipe aconteça; no entanto, há muito a ser feito ainda, sendo necessário que se desenvolvam competências nos profissionais para que visem a Segurança do Paciente, independente do papel que exerçam. Os profissionais de enfermagem do bloco cirúrgico têm importante papel na condução e desenvolvimento do trabalho em equipe, pois focam sua atenção para as necessidades do cuidado intraoperatório e gerenciam as demandas das equipes que atuam nesse cenário, em momento de grande vulnerabilidade do paciente. Todavia, ainda se verifica dificuldades em trabalhar em equipe, seja porque esta competência não tenha sido desenvolvida durante a formação dos estudantes ou porque não é regularmente exercitada por ocasião das atividades assistenciais do dia a dia dos profissionais. Estudos indicam que um trabalho sem coesão, com problemas de comunicação, sem o reconhecimento da importância do outro profissional ou em ambiente em que haja receios em apontar falhas nos processos, aumenta as chances de ocorrência de eventos adversos de forma significativa1. Assim, estamos diante do desafio de olhar para a questão de como o trabalho em equipe tem sido realizado dentro das instituições. É necessário parar, acertar, para então evoluir para outro conceito importante, que é o de equipe de sucesso. O termo advém de um modelo desenvolvido por pesquisadores em que a segurança de aeronaves em voo e a prevenção de acidentes aeronáuticos eram o foco, sendo denominado Gerenciamento dos Recursos de Tripulação – Crew Resource Management (CRM). Ele analisa e atua sobre os aspectos das relações humanas em grupos que são reconhecidos como os principais determinantes do desempenho das equipes responsáveis pela condução de uma aeronave. O modelo prima pelas habilidades que permitam aos tripulantes, independente do cargo que ocupam, gerenciar satisfatoriamente todo o processo de voo, e principalmente todo o processo decisório, para que as decisões resultantes sejam adequadas e oportunas em termos de segurança e precisão. Desta forma, delineia-se um desafio a ser conquistado que é o de desenvolver competências com e entre os profissionais da saúde, para alavancar o empowerment das pessoas envolvidas a fim de que todos possam contribuir para o desenvolvimento da Cultura de Segurança do Paciente.
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spelling doaj-art-4792acaa184546e39bc91f431fbcd5d72025-08-20T04:01:03ZporZeppelini PublishersRevista SOBECC1414-44252358-28712015-12-01204Ser participante de uma equipe eficazElena Bohomol0Professora adjunta, Livre-Docente da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São PauloO trabalho em equipe é elemento essencial para a Segurança do Paciente e fatores como maior complexidade das doenças, aumento das especializações no atendimento, aumento de comorbidades, escassez de força de trabalho, incremento das inovações tecnológicas, estão cada vez mais presentes em todos os cenários de assistência ao paciente. Os trabalhos em saúde envolvem muitos profissionais e precisam ser bem coordenados, devendo haver boa comunicação entre eles em todos os momentos1. O desenvolvimento de atividades coletivas que envolvem diversas intervenções técnicas, interação de profissionais de diferentes áreas e construído por meio de uma relação mutual, constitui-se um modelo dinâmico, e tem como premissa a qualidade da comunicação entre os integrantes, autonomia profissional, confiança, respeito mútuo, colaboração e gerenciamento de conflitos1,2. Esta forma de trabalho é essencial nas atividades que envolvem todo o processo perioperatório. Embora todos concordem com a importância do trabalho em equipe, este é alvo de diferentes interpretações. Os resultados de uma investigação sobre a Cultura de Segurança, realizada com membros de equipes cirúrgicas, mostrou que o cirurgião-chefe foi o único a perceber os benefícios do trabalho em equipe na qual ele estava inserido (70%). Os demais membros do mesmo grupo, como os anestesiologistas, enfermeiros e residentes em anestesiologia, indagados sobre a funcionalidade da equipe da qual participavam, refletiram o resultado de 40, 30 e 10% respectivamente, demonstrando percepções diferentes3. A implantação do Protocolo de Cirurgia Segura nas instituições é um passo para que o trabalho em equipe aconteça; no entanto, há muito a ser feito ainda, sendo necessário que se desenvolvam competências nos profissionais para que visem a Segurança do Paciente, independente do papel que exerçam. Os profissionais de enfermagem do bloco cirúrgico têm importante papel na condução e desenvolvimento do trabalho em equipe, pois focam sua atenção para as necessidades do cuidado intraoperatório e gerenciam as demandas das equipes que atuam nesse cenário, em momento de grande vulnerabilidade do paciente. Todavia, ainda se verifica dificuldades em trabalhar em equipe, seja porque esta competência não tenha sido desenvolvida durante a formação dos estudantes ou porque não é regularmente exercitada por ocasião das atividades assistenciais do dia a dia dos profissionais. Estudos indicam que um trabalho sem coesão, com problemas de comunicação, sem o reconhecimento da importância do outro profissional ou em ambiente em que haja receios em apontar falhas nos processos, aumenta as chances de ocorrência de eventos adversos de forma significativa1. Assim, estamos diante do desafio de olhar para a questão de como o trabalho em equipe tem sido realizado dentro das instituições. É necessário parar, acertar, para então evoluir para outro conceito importante, que é o de equipe de sucesso. O termo advém de um modelo desenvolvido por pesquisadores em que a segurança de aeronaves em voo e a prevenção de acidentes aeronáuticos eram o foco, sendo denominado Gerenciamento dos Recursos de Tripulação – Crew Resource Management (CRM). Ele analisa e atua sobre os aspectos das relações humanas em grupos que são reconhecidos como os principais determinantes do desempenho das equipes responsáveis pela condução de uma aeronave. O modelo prima pelas habilidades que permitam aos tripulantes, independente do cargo que ocupam, gerenciar satisfatoriamente todo o processo de voo, e principalmente todo o processo decisório, para que as decisões resultantes sejam adequadas e oportunas em termos de segurança e precisão. Desta forma, delineia-se um desafio a ser conquistado que é o de desenvolver competências com e entre os profissionais da saúde, para alavancar o empowerment das pessoas envolvidas a fim de que todos possam contribuir para o desenvolvimento da Cultura de Segurança do Paciente.https://revista.sobecc.org.br/sobecc/article/view/116
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