PE-010 Tendência das taxas de mortalidade e letalidade por acidentes ofídicos no Brasil: um cenário desafador
Introdução: Os acidentes ofídicos representam um importante problema de saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais e em países de baixa e média renda. de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), picadas de serpentes causam anualmente a morte de aproximadamente 81 mil a...
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| Format: | Article |
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| Published: |
Instituto Nacional de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia
2025-03-01
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| Series: | Jornal de Assistência Farmacêutica e Farmacoeconomia |
| Subjects: | |
| Online Access: | https://www.ojs.jaff.org.br/ojs/index.php/jaff/article/view/1135 |
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Introdução: Os acidentes ofídicos representam um importante problema de saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais e em países de baixa e média renda. de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), picadas de serpentes causam anualmente a morte de aproximadamente 81 mil a 138 mil pessoas. O Brasil assumiu o compromisso com a OMS de reduzir a mortalidade e a incapacidade causada por picadas de serpentes em 50% até 2030. Objetivo: O objetivo deste estudo é verifcar as taxas de mortalidade (TM) e letalidade (TL) por acidentes ofídicos no Brasil. Material e Método: Trata-se de um estudo ecológico de séries temporais com dados de casos notifcados no Sistema Nacional de Informações de Agravos de Notifcação (Sinan) de 2007 a 2022 e óbitos registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) de 2000 a 2022, relacionados a contato com serpentes e lagartos venenosos (CID X20) e ao efeito tóxico de veneno de serpentes (CID T63.0). As TM foram calculadas dividindo-se o número de óbitos pela população sob risco por 1 milhão. As TL foram estimadas dividindo-se o número de óbitos pelo número de casos notifcados multiplicado por mil. Ambas as taxas foram estratifcadas por ano e Regiões do Brasil e padronizadas pela idade de acordo com o Censo de 2010. Para análise da tendência dessas taxas, empregou-se a regressão de Prais-Winsten (p<0,05). Resultados: No Brasil, 469.661 casos de acidentes ofídicos foram notifcados entre 2007 e 2022. Entre 2000 e 2022, 2.390 óbitos foram registrados tendo como causa básica o contato com serpentes e lagartos venenosos. A TM variou de 0,72/1 milhão hab. (2003) a 0,33/1 milhão hab. (2018), com tendência decrescente entre 2000 e 2018, reduzindo 3% ao ano, em média (Taxa Incremental Média Anual [TIMA]:-3,02%; IC95%:-4,17%; 1,86%; p<0,001). Com o aumento dos óbitos a partir de 2019, a tendência da TM passou a ser estacionária até 2022 (TIMA:-1,45%; IC95%:-3,01%; 0,14%; p=0,129). Em relação às Regiões, a tendência da TM apresenta-se decrescente no Nordeste (p=0,044) e no Sudeste (p=0,043), reduzindo 2% a cada ano, em média. Nas demais Regiões, a TM apresenta-se estacionária (p>0,05). No Brasil, a TL variou de 2,4 óbitos/mil casos (2018) a 5,0 óbitos/mil casos (2021), com tendência estacionária no período de 2007 a 2022 (TIMA:1,03%; IC95%:-0,92%; 3,02%; p=0,282). As maiores TL foram observadas nas Regiões Centro-Oeste (6,4 óbitos/mil casos) e Nordeste (6,3 óbitos/mil casos). Conclusão: Com tendências estacionárias das TM e TL por acidentes ofídicos na maior parte do Brasil, o País enfrentará um grande desafo para cumprir a meta pactuada com a OMS. Um recurso essencial para auxiliar no alcance da referida meta é a elaboração de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para acidentes ofídicos, alinhado aos objetivos estratégicos da OMS: capacitação e envolvimento de comunidades, garantia de tratamento seguro e efcaz, fortalecimento do sistema de saúde e ampliação de parcerias, coordenação e recursos.
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